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15 de janeiro de 2022 1 view

C-Ausschuss Sessão 87 - Nova entrevista com Prof. Mattias Desmet 

Para quem não sabe quem é o Prof. Desmet, ele foi um dos primeiros que usou e divulgou o termo "mass formation" que depois viralizou e foi chamado de "psicose coletiva de massa", quando Dr. Mallone no Joe Rogan fez um resumo sobre essa teoria. 

Mattias começa dizendo que acha a palavra "psicose" - sob o prisma ético e pragamático – “problemática” e por isso vai continuar usar o termo "mass formation" (formação de massa). 

A Fabiane Fischer lhe pergunta: "Aonde você acha que estamos nesse momento nesse sistema totalitário? Já chegamos num ponto em que parece que o sistema está "devorando" os próprios filhos!"

Prof Desmet: "É difícil dizer em que estágio exatamente estamos, mas a gente pode observar que o processo da "formação de massas" está avançando cada vez mais. Vemos que o QR-code está sendo exigido para adentrar em espaços públicos. Está ficando cada vez mais claro - como a Dr. Fischer falou - que estamos diante de um monstro que devora os próprios filhos. 

Está ficando mais claro também que até as pessoas que no início estiveram caminhando junto com o sistema, não estão mais livres, mesmo depois de terem tomado duas "spikadas", pelo contrário, as restrições, que tem um impacto devastador na vida de todas as pessoas (não somente aqueles que fazem resistência), continuam. 

Essa é a definição exata de ilusão que existe na "mass formation" ou no "pensamento totalitário" de uma sociedade. A ilusão consiste em pensar que você está seguro, enquanto você segue as regras ou se identifica com elas. Mas essa não é verdade e é exatamente a diferença entre o totalitarismo e o ditadura "clássica". Isso pode ser verdade na ditadura, mas não no estado totalitário. Assim que você compreende a dinámica daquilo que está acontecendo, você compreende que somente existe uma única opção real:
combater essa "mass formation" de uma maneira específica:

- Você precisa romper a espiral do silêncio, ou seja, falar sempre a respeito até aonde for possível
- Você precisa se manifestar nos espaços público, de acordo com os princípios da não violência, isso é nem somente é muito importante como FUNDAMENTAL!

Na ditadura clássica, resistência pacífica não faz mais sentido. Um ditador clässico, em níveis psicológicos, mantém a sociedade nas suas garras, porque as pessoas tem medo dele. Por causa do seu grande potencial de agressividade, que ele tem para reagir contra resistência pacífica. 

Assim que você começa a entrar no mecanismo de estado, que é muito mais imperialistíco, até mais grave, de natureza totalitário, o processo psicológico é totalmente diferente. Nesse caso a restistência não violenta é muito mais eficaz e justificável sob um ponto de vista ético. 

Para ter uma "mass formation", a quarta condição é muito importante: o fluxo livre de frustração e agressividade. Assim que a oposição começa a usar violência, a massa vai considerar isso uma justificativa para direcionar e descarregar toda frustração e agressividade em cima dela. 

Em níveis psicológicos é justamente isso que a massa precisa. Ela sempre busca um objeto (um bode expiatório) para direcionar toda a sua frustração. Assim ela vai manifestar algo que é muito típico das massas: a sua inclinação de cometer atrocidades, como se fosse quase uma "purificação", algo que parece ser correto e justificável, porque é para o bem estar da coletividade. 

Assim que você perceber que está diante de uma "mass formation" ou um pensamento totalitário, você precisa organizar uma resistência não violenta cujo primeiro e mais importante ato é de FALAR.  

Reiner Fuellmich pergunt: “Pode repetir rapidamente quais são as quatro condições necessárias para ter a "formação de massa?”

Prof. Desmet: A "mass formation" é uma condição em qual o ser humano em geral perde a capacidade de um pensamento crítico. Parece que todos de repente começam a pensar exatamente iguais, usando até as mesmas palavras. As pessoas nem somente perdem a capacidade de ter um pensamento crítico como toda a sua inteligência, independentmente do nível do seu QI. 

Mas a escala larga de formação da massa ocorre apenas quando se entra num estado específico que pode ser caracterizado através de quatro condições: 


1) A mais crucial é, que a maioria das pessoas tem que se sentir socialmente isolada. Essa condição já havia sido verificado em 2017 nos EUA pelo Gallup e foi chamado de "epidemia de solidão"; mais do que 50% das pessoas afirmaram que não tinham vontade de ter contato com outras pessoas e que somente se sentiram contectadas com outras pessoas quando era via internet. Foi até preciso nomear um "ministro de solidão" nos EUA para ter idéia da proporção do problema!
A causa é muita clara: excesso de industrialização e uso de tecnologia. Essa tendência já persiste há 3 séculos, desde que a visão do homem se tornou muito materialista e que o homem se isolou gradualmente. Primeiro através da radio, depois pela televisão e agora da internet e assim criou condições para a formação de massa, que emergiu pela primeira no início do século 20, isso nunca dever ser esquecido!
O totalitarismo é relativamente novo, ele não existiu antes do século 20. Ele começou quando as massas se tornaram tão importantes que foram os mais poderosas da sociedade. Nesse momento estados e regimes começaram a emergir. 

2) Muitas pessoas estão sem sentido de vida

3) Nivéis altos de ansiedade que não tem conexão com uma alguma condição mental específica, ou seja, elas se sentem ansiosas sem saber porque estão ansiosas.

4) Fluxo livre de frustração e agressividade

Todas essas 4 condições estão interligadas. Assim que as pessoas se sentem isoladas, começam a experimentar uma falta de sentido. Geralmente  a junção dessas duas condições causa uma “ansiedade sem razão específica" e o final disso tudo é frustração e agressividade. 

Agora essas condições foram "distribuídas" através da mídia mainstream. Porque algo é muito importante: ELAS PRECISAM SER VERBALIZADAS E ARTICULADAS! 
Ou seja, uma narrativa que indica qual é a causa da ansiedade e ao mesmo tempo fornece uma estratégia como se deve lidar com ela. Nesse momento acontece algo muito típico: toda a ansiedade "que flutuava livremente" pode se conectar com a CAUSA da ansiedade. Como as pessoas querem ter  controle sobre sua ansiedade, elas podem estar dispostas a participar desse estratégias propostas para lidar com ela (e ir muito longe, como aceitar lockdowns, etc). 

Nesse momento sucede algo muito mais importante: uma nova espécie de pertencimento social acontece e isso é crucial. Pelo fato de muitas pessoas participarem na estrategia de como lidar com a ansiedade, elas acham que estão lutando coletivamente uma batalha heróica, uma nova forma de “solidariedade” emerge. Essa é a parte mais importante: essa compreensão de solidariedade. Se você se recusa a usar uma fralda na cara ou não está disposto a receber a spike, as pessoas dizem que você é desprovido de solidariedade!

Essa sensação de pertencimento é muito específica: Não é uma conexão entre dois seres humanos e sim uma conexão entre um indivíduo e a coletividade. Conforme essa formação de massa vai avançando, ela vai destruindo (ou até interromper) a conexão entre os indivíduos. Isso é crucial e típico no estado totalitário. No final existe uma atmosfera totalmente paranoica, em qual qualquer conexão entre indíviduos foi interrompida ou destruída, enquanto a ligação dos indivíduos com o sistema fica cada vez mais forte. 
As vezes isso pode ser provocado através da manipulação, como aconteceu numa época na União Soviética e na Alemanha de 1930. 

A grande pergunta que se faz é sempre a mesma: Até aonde isso ocorreu de forma espontânea e aonde foi provocado intencionalmente? 
Geralmente (embora essa não seja minha especialidade) creio ser uma mistura entre os dois. Eu acredito que pode ter surgido de forma espontanea, mas assim que está caminhando para se tornar um estado totalitário, algumas instituições ou indivíduos percebem a oportunidade e começam a usar isso para promover a sua ideologia, apertar o cerco na sociedade e com isso modificar toda sociedade de acordo com suas idéias. 


Na sua crença eles realmente se acham salvadores e capazes de resolver todos os problemas do mundo como mudança climática, etc. 
Obviamente, essas pessoas são fanáticas e estão convictas, que a SUA solução seja a única possível. Eles gostam de pensar assim, porque se vêem como pessoas que foram encarregados nessa na nova socidade (os iluminados).

O surgimento desse fenómeno é sempre altamente complexo, ele cria uma nova forma de conexão que causa uma intoxicação mental. Ele faz com que as pessoas abandonem as quatro condições e se colocam na outra extremidade, em qual estão totalmente conectado com a multidão, em qual experimentam um novo sentido. Toda ansiedade é direcionado para um objetivo e todas as frustrações e agressões são descontadas geralmente naqueles indíviduos ou grupos, que se opõem a formação da massa. 

Eles mudam de um estado mental completamente "negativo" para um estado "positivo", que causa uma intoxicação mental, que os faz ver apenas aquilo que é indicado pela narrativa oficial e os torna totalmente inseníveis para todos os argumentos, que estão fora do seu campo de atenção. 


Assim entramos em um estado problemático: não importa o quanto absurdo as medidas são, não fará mais diferença. Pelo contrário, para uma parte da população (que geralmente gera em torno de 30%), quanto mais absurda as medidas se tornam, mais elas serão aplaudidas!


Porque para essas pessoas, que porém são a minoria (30%), as medidas são praticamente um ritual, um comportamento simbólico, que sempre tem características específicas.

O ritual é uma forma de comportamento que não tem nenhum sentido pragmático, que é até absurdo sob o ponto de vista pragmático. Ele demanda um sacrifício dos individuos. Dessa forma o indivíduo mostra que a coletividade é mais importante do que seus próprios interesses. 
Essa é razão porque as medidas - pouco importa quão absurdas elas se tornam - jamais serão questionadas por parte da população. 

Fabiane Fischer: "Se as medidas ficassem tão absurdas que mandassem as pessoas usar um melão na cabeça ou cortar o dedo, as pessoas iriam continuar obedecendo?"

Mattias Desmet: Sim, o problema não é se as pessoas querem ou precisam de rituais, até porque "somos" determinados rituais. O problema é, que sua visão estritamente material faz com que elas não entendem mais que estão executando rituais; elas acham que seus rituais tenham uma necessidade pragmática. Enquanto o ser humano compreende que seu comportamento é de natureza ritualistica, você tem um equilibrio natural que vai impor limites. Se a pessoa no entanto acredita que seu ritual tenha uma necessidade prática, não há mais limites para os sacrifícios que ele acha que precisa ofertar para a coletividade!

Esse é um dos motivos porque formação de massa e totalitarismo é sempre e intrinsecamente auto-destrutivo, porque as pessoas praticam rituais que não são reconhecidos como tais. 

Reiner Fuellmich: Parece que algumas pessoas precisam de rituais inúteis, porque parecem ser incapazes de tomarem as próprias escolhas e decisões. Parece que precisam de alguém que lhes diz o que devem fazer? 

Desmet: Não estou totalmente seguro sobre isso. As vezes rituais são usados para obter poder, as vezes elas exprimem a identidade de algum indivíduo e logicamente depende muito, porque há uma quantidade enorme de rituais. Mas sem sombra de dúvida, muitos serão usados como uma forma do indivíduo provar, seja voluntariamente ou involuntariamente, que ele pertence a determinado grupo. 
Eu não acredito que o problema seja a existência de grupos e que o indivíduo sacrifica um pouco para poder fazer parte. Creio portanto que deve existir um equilíbrio entre liberdade individual e a coletividade. O indivíduo deve compreender, que precisa sacrificar um pouco da liberdade e a coletividade deve entender que precisa ofertar ao indíviduo a oportunidade de viver uma vida livre!
Eu na minha humildade opinião acredito, que deve existir um equilibrio entre os dois. 
O problema do totalitarismo é, que ele origina de um individualismo extremo, em qual o indivíduo tem a sensação de estar totalmente isolado socialmente e não pertencer a nenhum grupo. Esse é um sentimento terrível para a maioria das pessoas. De repente tudo muda para o oposto; o coletivo é radicalmente mais importante. Ele passa a possuir o indivíduo completamente, essa é a condição da "mass formation". 


Estranhamente esse indivíduo não está conectado com o outro indíviduo. A formação de massa não cria novas conexões entre pessoas, ela faz, com que o indivíduo esteja exclusivamente conectado ao coletivo. Esse é o motivo porque o estado totalitário não permite qualquer relacionamento, ao não ser que seja um relacionamento entre o indivíduo e o estado. 
Esse é o motivo da fala de George Orwell que disse: "A primeira vítima de um estado totalitário é sempre o amor!"

Fabiane Fischer: "Essa seria então uma boa preparação para uma agenda transhumanista?"

Desmet: Sim, eu acredito, que seja justamente a ideologia básica que é aproveitado pelo poder: a tecnocrática e transhumanista, o que seria - na minha humildade opinião - uma deshumanização, como acontece em todos os totalitarismoso, pelo menos tecnologicamente falando, porque a essência do ser humano, é um espaço, em qual ele pode tomar decisões individuais e ter uma certa liberdade. Todos devem ter essa liberdade para criar a própria teoria e assim organizar a sua vida e sua existência. 


É justamente isso que o estado totalitário nega ao indivíduo. Ele acredita que sua teoria seja única e sem erros. Sendo assim a teoria totalitária deve ser imposta aos indivíduos sem lhe deixar qualquer chance de escolha. 
Nos, seres humanos, existimos para fazer escolhas em todos os momentos da nossa vida. Elas são única e exclusivamente as nossas escolhas. Isso não pode ser reduzido pelo estado ou seja lá quem for. Esse é o momento em qual a humanidade como toda emerge.

Um estado tecnocrático que acredita que o conhecimento técnico de um especialista seja superior a qualquer outro tipo de conhecimento, está por definição, deshumanizando a natureza. Esse é o maior risco do transhumanismo e de todo pensamento tecnocrático. 

Wolfgang Wodart: "Eu vejo que fomos separados de todos os nosso rituais durante essa pandemia. Dessa forma eles criaram um novo tipo de ansiedade que foi novamente aproveitada para nos manipular. Eles ofereceram novos rituais e tentam proibir os nossos rituais antigos, é um truque muito efetivo que eles usam!"

Desmet: "Sim, eu concordo. Eu sempre hesito um pouco para ver de maneira intencional, porque nos sempre estivemos ansiosos historicamente e as vezes isso é explorado por aqueles que tentam usar a ansiedade para impor a sua própria ideologia. Eu acho que pode ser um pouco dos dois, mas eu concordo que todos nos participamos constantemente de rituais. Nos construímos rituais todos os dias, mas eu creio que o aspecto que você trouxe é muito importante, porque precisamos diferenciar entre rituais construtivos e aqueles que destroem a humanidade. 
Quando você compartilha rituais, o outro tem que te dar a permissão para que você seja criativo no seu nível de criação. Assim você começa a ser um indivíduo. 
Se o estado tenta destruir constantemente a criatividade na construção dos rituais, o estado começa a se tornar um inimigo da humanidade. 
 


Wolfgang Wodart: "Principalmente os nossos rituais de domingo são muito caracteristicas do ser humano. A gente decide se vamos pescar, correr e alguns deles a gente compartilha com outras pessoas. E eles de certa forma são um facilitador das nossas vidas. Essas escolhas tem a ver com dignidade também. 
Um outro aspecto que é interessante, é, que cada sociedade tem seus próprios rituais e sua própria mentalidade. Algumas são mais ansiosas e outras menos, algumas confiam mais nos políticos, outras nenhum pouco, porque o governo sempre foi corrupto. Isso traz um aspecto interessante, as pessoas obedecem menos nos lugares onde seus governos sabidamente são corruptos. 
 


Mattias Desmet faz uma longa pausa para elaborar a resposta: "Você sabe qual é a primeira coisa que um estado totalitários faz? Limitar a capacidade das pessoas de viajar". 
 


Fabiane Fischer: "Eu lembro que você disse que romper essa hipnose não é uma coisa fácil. Porque basicamente somente aqueles que a começaram (políticos, mídia, autoridades) poderiam terminá-la. A gente tem relatos que muitos dos médicos que no passado spikaram seus parentes ou colegas agora está em dúvidas. Eles não querem "distribuir a segunda ou terceira dose da sopa estragada". Eles agem assim, porque estão vendo os danos colaterais, mas mesmo assim ainda não criaram a coragem de falar abertamente sobre isso. Como podemos ajudar para eles vir a público? Se de 17 mil médicos somente mil falariam abertamente, tudo mudaria!"
 


Mattias Desmet: "Eu creio que a escolha de falar ou não, é uma daquelas escolhas do ser humano, sobre qual você não tem muito impacto. Eu sempre percebi isso na minha prática clínica. Você pode levar o cavalo até a água, mas não pode fazé-lo beber. 

Você pode ajudar ao paciente de se fortalecer e encorajar, até se for somente para falar sobre si mesmo, sozinho em um espaço terapêutico. Se ele vai falar ou não, você não pode decidir por ele. Mas talvez essa seja justamente a parte bela. Essa esolha, de falar ou não, é justamente o que nos define. Esse é o tipo de escolha que mais define quem realmente somos. 


Falar num espaço público o que ele acredita ser a verdade. Não porque ele acha que aquilo que ele diz seja a verdade absoluta. Mas nesse momento ele tem a sensação que aquilo que ele diz, seja a verdade e o que ele deve dizer, é o ato mais fundamental que o ser humano pode fazer. 

Dessa forma é o ato que mais nos define, todo cerne da nossa existência. Quando paramos de fazer isso, perdemos a nossa alma. Acho que isso está escrito no Talmud. 
É muito bom, que nenhuma outra pessoa pode fazer essa escolha por nós e que não temos impacto demais na escolha de um outro ser humano. Cada um esolhe se ele deve fazer determinada coisa ou não. Devemos levar os cavalos até a água sim e continuar falando da forma mais sincera possível. 
Mas eu estou com medo, que a única coisa que podemos fazer é ter esperança, que mais pessoas se levantem. Mas precisamos aceitar, se eles decidem não fazé-lo. 
Pelo menos é o que eu estou tentando fazer, porque eu tenho a sensação que quando você tenta forçar a pessoa de fazer algo, você sempre tem o efeito contrário.  
E se ele falar alguma coisa nessas condições porque se sente "assediado", ele não fala aquilo que ele realmente queria falar. 
O que precisamos fazer no entanto, é criar um espaço que encoraja as pessoas de se abrir e ao mesmo tempo aceitar, se eles não o fizeram. 
 


Fuellmich: "ou seja, ou você tem isso dentro de você ou não. Você não consegue forçar, como você disse, você pode levar o cavalo até a água, mas não pode fazé-lo beber. Alguns vão falar, outros não. 
Duas perguntas: Podemos definir porque um sistema totalitário tem um vínculo com autodestruição? Será que é porque ele faz com que os próprios filhos sejam devorados? Quando acontece isso, você não será mais necessário, ou será que é, porque quando você se opõe, se torna desnecessário também? É tão simples assim?
 


Mattias Desmet: "Oferecer os próprio filhos, é uma descrição da auto-destruição do totalitarismo e da "mass formation", mas não é uma explicação. Eu acho que você pode explicá-lo de várias perspectivas diferentes. Não é fácil, mas vou tentar apresentar uma dessas perspectivas. 
A emergência das massas acontece na base das quatro condições que foram apresentadas. 

Está muito claro, que massa quer continuar existindo, porque providenciam a nova forma de conexão social, entre o indivíduo e o coletivo, mas ele somente pode existir, se 1) existe um objeto que causa ansiedade e 2) esse objetivo precisa ser destruído, estigmatizado, marginalizado etc. porque existe a quarta condição que tem um potencial enorme de restrição e regressão da massa. É precisa satisfazer constantemente a regressão ao direcionar tudo para o objeto externo. 
Isso leva a característica especifíca do totalitarismo e a formação de massa. Ela busca constantemente um novo objeto de ansiedade, que precisa ser destruído.

 
No início a escolha tem certa lógica quando você considera ela sob um prisma ideológico. Do ponto de vista materialista foi mais ou menos lógico que Aristocracia precisava ser destruído na União Soviética. Mas depois da Aristocracia, vieram os grandes fazendeiros que ainda foi mais ou menos lógico. Depois os pequenos fazendeiros, o que já foi menos lógico, depois os ourives e depois um grupo depois do outro. E depois Stalin, numa maneira totalmente non sense, eliminou 50% dos membros do seu próprio partido. 
Esse é o processo de formação de massa em ação. 
Identifica um objeto de ansiedade, silencia, as vezes destrói, e depois sempre virão novos objetos de ansiedade, até que tudo seja destruído ou que o equilibrio do sistema toma um outro caminho. 

Se você quiser manter essa destruição sobre certos limites, você precisa continuar falando a respeito. As atrocidades se tornam mais extremas se tiver menos resistência, o que é perfeitamente lógico, porque o fenómeno da "mass formation" é um fenómeno de hipnose, que é sempre provocada por uma voz que é articulada por alguém. 
Isso explica as duas coisas ao mesmo tempo. 
A solução não é, se você não quiser marchar com a massa, se quiser ficar fora dela, se esconder. Isso é uma ilusão! Não, você precisa continuar no espaço público, enquanto for possível  e continuar falando. 
 


Fabiane Fischer: "Eles podem agora se tornar muito mais agressivos. Mas ao mesmo tempo, é um sistema muito frágil. Você acha que eles vão provocar “false flag" para justificar um aumento de agressividade?
 


Mattias Desmet: "Alguns dos líderes podem tentar isso, mesmo que a oposição continua pacífica, mas eu dúvido que vão encontrar apoio da sociedade.  Esse é um dos problemas. Se você olha o Macron na França, que usou a terrível  frase que "quer tornar a vida de pessoas não spikadas completamente impossível", ele não encontrou muito suporte social, pelo contrário e isso acontece porque a massa sempre querem estar na condição de viver para o coletivo. Eu acho que não está funcionando muito bem e eu vejo que o "Zeitgeist' mudou também. 
Como disse Anne Arendt: "O novo totalitarismo não sei ser liderado por membros de gangues e sim por burocratas e tecnocratas!" 
Ela estava consciente que o Zeitgeist estava mudando e a agressividade não foi mais parte da ficção idealizada da população.
Meu ponto de vista formado sobre diversos ângulos, é, que mesmo que os líderes tentassem fazer isso, agredir pessoas que estão fornecendo resistência passiva, não vai ser muito bem sucedido. 
Mas o que pode obter êxito, é estigmatizar e a marginalizar aqueles que não querem cumprir as ordens. Isso vai ser efetivo. É sempre difícil fazer previsões sobre o futuro, ninguém sabe exatamente como as coisas vão se desenvolver, mas eles podem ter êxito, se marginalizam e estigmatizam mais ainda as pessoas que não estão de acordo com o sistema. 
Mas eu creio que a destruição física da oposição vai encontrar muito suporte. 
 


Fischer: Acho que eles tem um problema, porque estão adiando constantemente o deadline da obrigatoriedade da spike. E tem mais, a validade do passaporte daqueles que já receberam sopa estragada, já expirou de novo. Isso faz muitas pessoas ficar com raiva. 

A última pergunta do Fuellmich é sobre a culpabilidade, porque parte daquilo que acontece é espontâneo, parte é dolo. Como podemos saber quem agiu com dolo? Quem escreveu o "ensaio de criar pânico"?
 


Mattias Desmet: Na minha opinião ingênua, eu iria responder com uma fala de Freud: "Você é responsável até por sua própria inconsciência." Isso quer dizer o seguinte: Somente porque você faz algo de maneira inconsciente, não deixa de ser responsável por ela. 
A pergunta é: Quem transgrediu regras éticas? Quem transgrediu regras internas da humanidade? Para mim essa é a questão mais importante. Para mim todo mundo pode justificar porque ele transgrediu regras éticas, o que pode ser levado em consideração para determinar sua punição, mas não é uma desculpa. 


Alguém está hipnotizado, vai agir de acordo com as mesmas regras éticas, como quando está "acordado". Se você está na massa, se você está numa hipnose de massa ou o líder da massa, pode ser uma desculpa, mas isso nunca vai te puxar além de fronteiras éticas. Ou seja, você não faria algo diferente do seu estado consciente. Claro que as vezes alguma pessoa pode estar sujeita a uma psicose, as vezes acontece, mas nesse caso fica claro que ele diverge totalmente do seu comportamento usual. 
Eu não acredito, que pessoas que estão praticando coisas totalmente anti-éticas ao longo dessa pandemia se encontram num estado desse. 

 

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