mariisafra
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12 de janeiro de 2011 43 views

Peguei a jaqueta surrada e coloquei nas costas, chega, o barulho infernal das vozes em minha cabeça era algo que estava me matando, fechei a porta. Pelo caminho que escolhi encontrei uma garrafa de vodca barata, um maço de cigarros amassado no fundo da bolsa e meio milhão de idéias conturbadas, tomei tudo em um único gole. Do outro lado da rua, uma vitrine, um espelho, um manequim e eu, meu reflexo seco e sem vida em uma vitrine cheia de glamour, eu, uma imagem vazia em um mundo cheio de prós, deitei-me no chão. No escuro da noite estranha poucas estrelas, algumas nuvens mal vistas e uma lua, enorme, era algo realmente grande comparado aos poucos lampejos de luz que insistiam em ficar no céu, tão grande, ao bela, tão lua, e eu, deitada no chão, jogada, pequena, acovardada, com medo de mim, com medo dos outros, com medo do mundo, com medo do medo. Fechei os olhos. Gritei, não importava se alguém ia me ouvir, se me chamariam de maluca ou ligariam para a policia, não importava, gritei, e do meu grito surgiu canção, canção sem sentido, só uma coisa antiga que nem a letra sabia bem, me levantei cantando com as costas molhadas, cheirando a vodca e um no rosto algo anormal nos últimos dias, sorri.

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