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- Deborah Colker

O Cirque du Soleil, criado em 1984, revolucionou e modernizou o circo. Mas a ginga diferente e o ritmo animado, um pouco a cara do Brasil, veio pelas mãos da diretora e coreógrafa brasileira Deborah Colker. A foto dela é destaque na entrada do quartel-general do grupo, em Montreal , no Canadá.

"Estou feliz, orgulhosa, vibrante. É difícil, estou exausta, mas é super bacana”, diz ela. Deborah desembarcou no circo há dois anos com uma missão inédita: pela primeira vez, um brasileiro comanda um espetáculo da maior companhia de circo do mundo. Não só isso: é a primeira vez que uma mulher assume a direção.

"É um desafio grande trazer uma brasileira, uma mulher, as minhas necessidades, as minhas exigências, elas são diferentes. Tinha que valer a pena, tinha que ter as duas assinaturas e a gente está conseguindo.”

O tema do 25º espetáculo do Cirque Du Soleil é o mundo dos insetos. Deborah escolheu para título a palavra "ovo", em português. "Ovo quer dizer o ciclo da natureza que nunca para, a vida acaba para começar de novo”. A superprodução de R$ 88 milhões é um mergulho na comunidade dos insetos para contar uma história de amor entre uma joaninha e um mosquito.

Zeca Padilha, acrobata gaúcho, único brasileiro selecionado para o elenco, diz que todo o grupo enfrentou um desafio. "Imagina um ser humano tentar se adaptar aos movimentos de um inseto, essa foi a maior dificuldade para todo mundo.”

• Véspera de estreia •

A coreógrafa carioca, que ficou conhecida por transformar atletas em bailarinos e bailarinos em acrobatas, trouxe sua marca registrada. A parede de escalada, lançada em "Velox", de 1995, um dos espetáculos mais marcantes de sua companhia, ressurge de forma impressionante em "Ovo".

Para realizar esse trabalho, Deborah precisou se mudar para Montreal. Enfrentou uma rotina pesada nos dois últimos anos. "Ano passado, por 12 vezes eu fui e voltei, fui e voltei."

Às vésperas da estreia, na próxima quarta-feira (6), os dias são curtos para tanto trabalho. Ela fiscaliza com rigor todos os detalhes e orienta, em inglês, artistas de dez nacionalidades.

Eu estou trabalhando desde janeiro sem parar um dia. É a cabeça pensando, encontrando saídas, soluções, às vezes criativas, às vezes técnicas. É um espetáculo que é muito grande, é dentro de uma tenda de circo. Às vezes eu acordo no meio da noite com esse circo rolando na minha cabeça.”

• Time de brasileiros •


Deborah comanda 53 artistas e é responsável pela concepção do espetáculo, direção e coreografia, em um trabalho de mais de 12 horas por dia. Para fazer história no Cirque du Soleil, ela levou um time de brasileiros para ajudar. É a primeira vez que o Cirque dá tanta liberdade a um diretor. Gringo Cardia criou o cenário de casas e ovos de insetos.

"Eles disseram: ‘você pode ter os melhores cenógrafos do mundo inteiro’. Eu falava: ‘Para mim, o melhor cenógrafo do mundo é o Gringo.”

A trilha sonora, uma mistura de ritmos brasileiros foi composta por outro parceiro: Berna Ceppas. "Deu uma vibração, a plateia às vezes você vê que ela está, sabe, fica todo mundo assim, meio sambandinho. É bacana!” A banda e a sonoplastia contam ainda com quatro músicos brasileiros.


O Canadá será primeiro e ainda não se sabe quando o Brasil entra no roteiro do espetáculo "Ovo". Mas o mundo vai ter muito tempo para conhecer os insetos e o talento de Deborah Colker. "O que foi pedido a mim é um espetáculo de 15 anos em cartaz, viajando pelo mundo."