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Entrevista da CQ (Fevereiro de 2013)


Beyoncé está na capa da revista GQ, edição de fevereiro de 2013. Leia a tradução da entrevista para a revista abaixo. As fotos são do renomado Terry Richardson.

Miss Milênio: Beyoncé
Essa é a mulher mais quente dos últimos 13 anos

Beyoncé está pronta para receber você agora. Da cadeira que ela está sentada, na sala de reuniões de sua suíte-escritório em midtown Manhattan, em uma mesa redonda elegantemente ornada com louças chiques, guardanapos e sushi para viagem do Nobu, ela poderia jogar um edamame por cima do ombro e acabar acertando seus dezesseis Grammys, cada um bem guardado em suas próprias caixas de acrílico. Ela é luminosa, com o sorriso perfeito e a pele suave de café que brilha por baixo do seu rabo de cavalo loiro com franja. Hoje ela não está vestindo nada que veste no palco, em seus vídeos ou nas páginas dessa revista. Essa é a Beyoncé de negócios, a super composta Beyoncé-da-moda, elegante, no comando. Ela veste peças de não menos que sete designers, dentre eles Givenchy (o pingente dourado em seu pescoço), Day Birger et Mikkelsen (sua blusa cinza-rosa de colarinho de pétalas), Christian Louboutin (seus saltos rosa de cinco polegadas) e Isabel Marant (suas calças florais). Ela não levanta – uma câmera de vídeo já foi apontada para seu rosto e ligada – então você cumprimenta ela enquanto senta. Você tem pouco tempo. Talvez um pouco mais, se ela estiver gostando.

Você está aqui para falar sobre o grande retorno pós-bebê dela (Blue Ivy, sua filha com Jay-Z, fez um ano), no qual Beyoncé está trabalhando com o clássico estilo Beyoncé: um caos pop-cultural. Esse mês, duas semanas depois de ser a estrela principal do show do intervalo no Super Bowl XLVII, ela estreará um documentário na HBO, que é mais uma autobiografia visual dela e da família, que ela mesma financiou, dirigiu, produziu, narrou e estrelou. Essa é a mulher, no final das conas, que vendeu 75 milhões de álbuns, acabou de assinar um contrato de 50 milhões de dólares com a Pepsi (seu visual perfeito vai estampar as latinhas do refrigerante) e irá em breve embarcar em uma turnê para promover seu quinto álbum solo, ainda sem nome, previsto para Abril. Quem não gostaria de saber como ela faz isso tudo?

“Eu trabalhei muito durante minha infância para alcançar esse objetivo: poder fazer o que eu quisesse aos 30 anos,” ela diz. “E eu o alcancei. Me sinto muito sortuda de estar nessa posição. Mas sacrifiquei muitas coisas, e trabalhei mais do que provavelmente qualquer pessoa que eu conheça, pelo menos na indústria musical. Então eu tenho que me lembrar que eu mereço isso.”

A qualquer momento que ela queira se lembrar de todo o trabalho ou qualquer outra coisa que tenha acontecido em sua vida, tudo que ela tem que fazer é descer até o hall. Lá, do outro lado da estreita sala de reuniões no qual você a está entrevistando, temos outra sala estreita e longa que contém o arquivo oficial de Beyoncé, uma sala com temperatura controlada de arquivamento digital que possui todas as fotografias existentes dela, começando com as primeiras imagens das Destiny’s Child, o grupo de garotas dos anos 90 que ela já comandou; todas as entrevistas que ela já fez; todos os vídeos de todos os shows nos quais ela já se apresentou; todos as entradas de diário que ela já gravou enquanto olhava para a câmera de seu laptop.

“Pare de fingir que tenho tudo sob controle,” ela se diz em um vídeo particularmente revelado, olhando diretamente para a câmera. “Se estou assustada, se assuste, permita isso, libere isso, siga em frente. Acho que preciso ir ouvir ‘Make Love to Me’ e fazer amor com meu marido.”

O lugar sagrado de Beyoncé contém horas de filmagens pessoais, compiladas por um “diretor visual” que Beyoncé contratou que filmou todos os momentos nos quais ela acorda, por mais de dezesseis horas por dia, desde 2005. Nesse material, Beyoncé tem seu cabelo preso, solto, com franjas e sem ele. Com muita maquiagem ou sem nenhuma, ela pode ser vista balançando seu famoso bumbum no palco, relaxando em seu camarim, cantando “Yellow”, do Coldplay, para o Jay-Z em um jantar íntimo e rolando na cama com olhos de sono. Essa banco de dados digital, baseado na biblioteca da NBC, é um trabalho em progresso – a etiquetagem, colocação de datas e criação de referências cruzadas estão sendo feitos há dois anos, e ainda faltam uns meses para o processo estar completo. Mas o produto Beyoncé já está são e salvo e prestes a ser monetizado ao simples aperto de botão.

E essa sala – que ela chama de seu “arquivo doido” – é a chave disso tudo. Ela explica “sabe, eu sempre posso dizer ‘Eu quero aquela entrevista que dei para a GQ’, e nós achamos.” E, realmente, ela acha, porque a sala no qual você está sentado tem câmeras e microfones que capturam não somente todas as expressões dela, mas também as suas. Essas são as regras: antes de ver Beyoncé, você deve concordar em viver para sempre em seu arquivo, também.

Quando uma garota é dona de tudo que lhe diz respeito, como Beyoncé é, isso pode fazê-la mais determinada ainda a ser perfeita. (Beyoncé não vende apenas a música da Beyoncé; ela vende sua estatura icônica: uma fusão cuidadosa do inspiracional e o inatingível). Então, quando está em turnê, toda noite ela volta para seu hotel com um DVD do show que ela acabou de fazer. Antes de ir dormir, ela assiste ao show, criticando ela mesma, seus dançarinos, seu cinegrafista. Na manhã seguinte, todos recebem páginas de notas.

“Uma das razões pelas quais eu me liguei ao Super Bowl é que eu me preparo para meus shows como uma atleta,” ela diz agora. “Você sabe, quando eles se sentam e assistem com quem eles vão jogar para estudá-los? É assim que eu faço. Eu assisto minhas performances, e queria poder apenas aproveitá-las, mas eu vejo a iluminação que se atrasou. Eu vejo ‘ah, Deus, esse cabelo não ficou legal’. Ou então ‘eu não devo fazer isso nunca mais’. Eu tento me aperfeiçoar. Eu quero crescer, e estou sempre ansiosa por novas informações.”

Ela ama estar no palco, ela diz, porque é a hora na qual sua crítica interna se cala. “Eu amo meu trabalho, mas é mais que isso: eu preciso dele,” ela diz. “Porque, antes de eu dar à luz, era a única hora em minha vida, durante toda a minha vida, no qual eu estava perdida.” Ela diz isso de uma boa maneira: quando seu cérebro se desliga, é um alívio. Depois de muito treinar, repetir cada movimento várias vezes e armazená-los, ela então pode se permitir não pensar. “É como um blecaute. Quando estou no palco, não sei que droga acontece. Eu sumo.”

Solange, a irmã caçula de Beyoncé (e também uma cantora famosa), diz que sempre foi assim: “Eu tenho todas as memórias antigas de Beyoncé ensaiando sozinha em seu próprio quarto. Eu especificamente me lembro de ela pegando um verso de uma música ou de uma dança e fazendo de novo e de novo e de novo até que estivesse perfeito e forte. Aos 10 anos, quando todos estavam prontos para dizer, “ok, estou cansado, vamos para um pouquinho”, ela queria continuar – acertar e superar.”

É difícil acreditar, quando vemos como Beyoncé é agora, mas ela era uma garota tímida. Naqueles dias, ela diz que Sasha Fierce, o alter-ego parte sedutora parte furiosa que ela inventou para si mesma em seu primeiro vídeo solo (“Crazy In Love”, de 2003) para sair de sua concha, foi totalmente integrado a sua personalidade. Parte garota-da-porta-ao-lado, parte amante do universo, Beyoncé agora exibe que a sensualidade de seus quadris pode ser um pouco… intimidadora. Ela é quente, sem dúvidas, mas sua eminência, sua independência e sua ambição faz com que alguns a rotulem como fria. Seu fascínio reside na linha tênue que separa querer ter seu corpo curvilíneo e saber que ela provavelmente está certa quando diz, em sua música “Bootylicious”, que você realmente não está pronto para tudo isso.

Há um tempo, o que mais a tornava feroz era proteger sua irmã. Solange se lembra de como Beyoncé a defendia quando elas eram adolescentes. “Nem consigo contar quantas vezes durante o ginásio, nem quantas meninas e meninos podem dizer que Beyoncé os ameaçou se eles encostassem em mim”, Solange diz rindo. Beyoncé diz que usava essa mesma energia para segurar os nervos e dar força a seu trabalho. “Eu gostava de quando as pessoas me zangavam,” ela diz no documentário da HBO, se lembrando de sua infância suburbana no Texas, que foi centrada (alguns dizem sacrificada) em sua determinação em ser uma estrela. “Eu fico tipo ‘Por favor, me deixe put* da vida antes da performance.’ Eu usava de tudo.” Como Jay-Z rappeou sobre Beyoncé no começo do hit de 2006 “Déjà Vu”, “ela está prestes a te picar, se afaste”.

“Sabe, igualdade é um mito e, por alguma razão, todos aceitam o fato de mulheres não conseguirem tanto dinheiro quanto homens conseguem. Não entendo isso. Porque temos que ficar atrás?” ela diz em seu filme, que começa com sua decisão em 2011, de cortar relações profissionais com o pai. “Eu realmente acredito que mulheres devem ser financeiramente independentes de seus homens. E, vamos encarar, dinheiro dá poder aos homens para comandar o show. Dá o poder aos homens para definir valores. Eles definem o que é sexy. E homens definem o que é feminino. É ridículo.”

Agora ela diz, “Sabe, quando eu escrevia as músicas das Destiny’s Child, era uma grande coisa ser tão jovem e estar assumindo o controle. E a gravadora, naquela época, não sabia que nós seríamos tão famosas, então eles nos deram todo o controle. E eu me acostumei com isso. É meu objetivo na vida ser esse exemplo. E eu acho que vou, esperançosamente, espalhar isso, e mais artistas verão isso. Porque isso é a única coisa que faz sentido. Só assim é justo.”

Ela sabe que não faz sentido ser quente como peixe, se alguém segura a espátula e tem a chave da máquina registradora. Mas e se você puder aproveitar seu próprio poder e fazê-lo trabalhar a seu favor? Bem, então não há limites. É disso de que se trata a câmera de vídeo: possuir sua própria marca, usar seu próprio rosto, seu próprio corpo. Só assim, pegando outra letra de Beyoncé, as garotas podem comandar o mundo. E não se enganem, rapazes: a rainha Bey está confortável em seu trono.

“Eu sei disso, sim, eu sou poderosa,” ela diz. “Tenho mais poder do que minha mente pode sequer digerir e entender.”

MAS ESPERE, E A MÚSICA?
Algumas palavras de Beyoncé sobre seu próximo álbum, para o qual ela já gravou cinquenta músicas.

Sobre seus colaboradores: “Tenho trabalhado com Pharrell e Timbaland e Justin Timberlake e The Dream. Todos nós começamos nos anos noventa, quanto o R&B era o gênero mais importante, e todos nós queremos isso de volta: o sentimento que a música nos deu.”

Sobre a escrita das músicas: “Eu costumava começar com as letras e então eu achava as faixas – às vezes era algo que eu já tinha em mente e então encaixava na melodia. Agora escrevo com outros compositores. Começa com o título ou o conceito do que estou tentando dizer, então eu entro no estúdio e canto minha ideia. E então todos trabalhamos juntos para finalizar.”

Sobre as influências do álbum: “R&B na maior parte. Sempre tenho influências do Prince e de rock/soul. Tem um pouco de D’Angelo, alguns doo-wop dos anos 60. E Aretha e Diana Ross.”

Sobre suas inspirações: “Até a coisa mais boba que você ouve no rádio vem de algo mais profundo. ‘Bootylicious’ era engraçada, mas veio de pessoas dizendo que eu tinha engordado e eu dizia ‘sou uma mulher do Sul, e é assim que mulheres do Sul são.’ Minha motivação é sempre expressar algo ou me curar de algo ou rir de algo.”