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SUPERAÇÃO, um lema recorrente em minha vidaSUPERAÇÃO, um lema recorrente em minha vida19/05/10
Ao falar em superação as primeiras coisas que vêm à minha cabeça são dificuldades, sacrifícios, força de vontade e foco, ingredientes sempre presentes na minha história no futebol. Não é fácil estar por baixo, mal, com dores, com todo mundo contra e ter de tirar uma força muito grande para se superar. E acho que nada melhor do que superação para falar do meu momento e da proximidade de voltar a jogar, depois de me recuperar da apendicite. Primeiramente, com certeza nada seria possível sem a família, amigos e, principalmente, os companheiros de clube, que confiam em mim sempre. Essas coisas me dão tranquilidade e hoje sei que qualquer momento difícil que aparecer, eu vou conseguir superar. Toda essa convicção surgiu com o momento mais marcante de toda a minha carreira, a arrancada que tivemos na reta final do ano passado. Não falo isso porque estou no Fluminense, mas aquela volta por cima valeu mais do que um título. Foi o momento que passei mais dificuldade em toda a minha vida, tive mais dores e parecia que ninguém mais confiava em mim. Acho que foi um grande exemplo de superação para várias pessoas que acompanham meu trabalho. Quando estava voltando para Belo Horizonte no avião, e até aqui no Rio de Janeiro mesmo, sempre me cumprimentam e parabenizaram. Eu e o Fluminense fomos convidados para dar palestras motivacionais em algumas empresas. Por tudo isso aquela volta por cima nunca sairá da minha cabeça. Foi um momento que me fez crescer muito como pessoa, olhei pra trás e pude ter certeza: tudo que fiz valeu à pena. Foram três meses e meio parado, muitas dores, pedi para não jogar, aí veio uma desconfiança, fiquei inseguro, mas a força divina me incentivou a continuar lutando. Voltei em uma fase que faltavam 11 jogos no Brasileiro e não podíamos perder nenhum. Ganhamos um, dois, três, e ainda faltava um enorme caminho pela frente, com adversários que disputavam o título. Os torcedores passaram a acreditar na gente, o time começou a me olhar, confiar em mim, e todos passaram a fazer uma autoreflexão, passando a acreditar. Deixei de fazer muita coisa. Estava tão focado nesse objetivo que deixei de ir a restaurante com a minha família. Pensava que tinha jogo no fim de semana e preferia ficar deitado recuperando a melhor forma física. Abri mão de muita coisa em prol dessa causa, meus amigos e família ficavam em minha casa. Respirei futebol e só consegui ter a consciência tranquila depois do jogo com o Coritiba, no dia 6 de dezembro, quando garantimos nossa permanência na série A. No Lyon também passei por momentos difíceis. Eles estavam me negociando e eu já queria sair, aí me colocaram para treinar separado. De repente acabei continuando, faltava mais ou menos 15 rodadas para acabar o campeonato e estávamos sete pontos à frente do segundo colocado. Voltei a treinar e o nosso time ficou com dois a menos que o primeiro colocado. Me colocaram como titular e fiz gols importantes. A torcida vinha me vaiando. Lembro que tivemos um jogo com o Paris Saint-Germain e o presidente do Lyon falou que eu queria jogar no adversário, mas recusei a proposta e fiz os dois gols da vitória sobre eles, conseguindo reverter esse quadro negativo com a torcida. Eles me vaiavam sempre que entrava em campo, mas durante os jogos foram mudando e voltaram a ter carinho por mim. Foi muito emocionante porque conquistamos o título na última rodada. Ganhamos a Copa da França e ainda o Campeonato Francês. Foi mais um episódio que também me trouxe um grande amadurecimento, pois tive várias propostas, queria sair, eles não me negociaram, briguei, acabei tendo que ficar na reserva e ainda perdi o mercado. Hoje se algum jogador vier conversar dizendo que quer sair e já pensa em "chutar o balde", sempre aconselho para conversar com o clube e tentar chegar a um acordo. Sempre trabalhando sério, sem deixar abalar o desempenho dentro de campo. Outro momento de superação, já citei aqui no site, em uma coluna anterior. No comecinho da carreira, quando estava nos juniores do América-MG, tive uma benção de Deus, que me arrepia até hoje só de falar. Alguns jogadores da nossa equipe foram convidados para fazer um estágio no Feyenoord, da Holanda, e eu tinha em mente que seria o melhor momento para mostrar o meu talento. Era titular da equipe e, dormindo na contração, caí da parte de cima do beliche, acordei só no dia seguinte e acabei ficando dois meses e meio parado. Eles viajaram e fiquei sozinho, com a cabeça a mil. Um mês depois voltei a treinar. O Jair Pereira era o técnico do time principal e pediu um jogador para completar o coletivo. Eles não tinham ninguém para indicar, aí falaram para chamar uns japoneses que pagavam para treinar no América e para a minha sorte eles não estavam lá pela manhã. Estava correndo em volta do campo e me chamaram. Entrei faltando 15 minutos para acabar o treino. Fiz dois gols e na terceira bola que recebi sofri uma falta, próxima à área. O Jair brincou, me mandou bater e disse que se fizesse acabava o treino naquele momento. Fiquei super feliz, acertei a bola no travessão e ele disse que a cobrança valeu por um gol. Ou seja, de desanimado por ter sido cortado da viagem à Holanda, minha vida deu uma reviravolta e passei a ter chance no time principal. Sempre dizemos que o jogador tem de ter estrela para dar certo. Acredito nisso sim, porque tudo depende de uma força maior, da atenção divina. Mas ao mesmo tempo sempre digo que Deus não cochila e sempre dá as coisas por merecimento. Amo jogar, amo treinar, gosto demais dessa minha rotina. Sou quase sempre o último a deixar o treino e a sair do clube. É muito bom esse ambiente, fico aqui nas Laranjeiras conversando com os roupeiros, com todos os funcionários. É assim que vou ultrapassando esses obstáculos que insistem em aparecer na minha vida, porque já aprendi que sempre colho coisas melhores logo à frente. Tenho certeza que agora será mais uma vez assim. Queimei algumas etapas dessa fase de recuperação da apendicite. Não poderia estar batendo em bola na primeira semana de treinamento, mas fiz questão e até brinquei com os médicos, dizendo para me colocar contra o Atlético-GO, no último sábado. Os tricolores podem esperar muita dedicação e vontade de colocar a bola no fundo da rede, esse é o meu lema e é isso que sei fazer de melhor na vida. Que venham os gols. Por Fred
Fonte: www.fluminense.com.br
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