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Discografia Bloco do Eu SozinhoDiscografia Bloco do Eu Sozinho28/04/08
Tweet Após o abrupto sucesso atingido em 1999 e sua conseqüente extensão pelo ano de 2000, a banda constatou que já era tempo de encerrar a longa turnê do primeiro disco e dedicar-se exclusivamente à composição de novas músicas. Para isso era preciso respirar novos ares. Distanciar-se das cobranças às quais uma banda é submetida depois de um grande sucesso. Optamos então por realizar a pré-produção do novo disco em um sítio no município de Piraí, a cerca de uma hora e meia de distância do Rio. Lá, estávamos certos de que encontraríamos a serenidade necessária para realizar uma tarefa de suma importância: gerar um disco que representasse unicamente o nosso desejo. Alugamos os equipamentos necessários e montamos tudo num salão onde era possível tocar a qualquer momento. Passaríamos dois meses lá, sem telefone, sem televisão, sem jornal, apenas concentrados na tarefa de fazer música com sinceridade. Logo nos primeiros dias percebemos que a frenética rotina de shows havia se encarregado de nos afastar; muito da cumplicidade entre nós havia se perdido. As longas e tediosas noites, acompanhadas do silêncio ensurdecedor que tomava conta de tudo quando desligávamos os amplificadores, serviram de incentivo para que conversássemos e nos reaproximássemos. E assim foi: afinidades musicais foram descobertas, boas lembranças foram festejadas, peladas foram jogadas no gramado em frente a casa, enfim, fizemos tudo que deixamos de fazer durante mais de um ano e meio em que nos víamos todos os dias ! O tempo foi passando e as músicas foram aparecendo aos poucos, na verdade mais lentamente do que desejávamos. Não estávamos ficando satisfeitos com os resultados e fomos levados a constatar que havia um integrante que não mais fazia parte do grupo - não do jeito que ele seria dali pra frente. Novamente a rotina havia acobertado as dissidências, só que dessa vez não era possível sublimar. Conversamos, resolvemos o impasse e seguimos adiante fortalecidos e rejuvenescidos pelas transformações que sofríamos a cada dia no sítio. Chamamos o amigo Kassim para o lugar de Patrick e começamos tudo de novo. Agora as músicas surgiam rapidamente e o clima de tensão havia se dissipado dando lugar a uma áura produtiva e muito próspera. Em um mês e meio já tínhamos praticamente o disco pronto e estávamos muito felizes com o resultado. Aos poucos a pressão começou a chegar até nós. Todos queriam saber o porque de tanto segredo. Através de telefonemas espaçados, nos cobravam um produtor, um nome, uma capa, uma demo, a imprensa queria publicar notas sobre o disco. Finalmente era necessário deixar de lado a tranqüilidade da serra e voltar para o Rio onde o tempo parecia correr diferente do que nas montanhas. Pois bem, escolhemos o produtor, Chico Neves, porque sentimos no seu estúdio o mesmo clima do sítio. Nessa mesma época as músicas e o nome de Chico chegavam na gravadora e não agradaram. Parece que a Abril esperava outros resultados e exigia mudanças. Mas como abrir mão da escolha de Chico Neves que nos parecia tão apropriada? Como mudar um disco que foi feito de uma forma tão sincera? Os trabalhos se intensificavam no estúdio e tudo parecia estar muito bem a não ser pelo fato de que a Abril desaprovava as músicas e o produtor de nosso disco. Encerramos as gravações sem a participação efetiva da gravadora e o material foi entregue. Os meses que se seguiram foram certamente os piores da curta estória da banda. Impasses, discussões, incertezas, tudo aquilo parecia contrastar absurdamente com o clima no qual o disco foi elaborado. A gravadora exigia uma nova gravação, um novo repertório, e isso definitivamente não estava nos nossos planos. Sob a ameaça de não lançamento do disco, chegamos a uma decisão conciliatória que consistia na re-mixagem das faixas com outro produtor. Para os curiosos posso dizer que houve muita especulação sobre esse assunto. Garanto que muito pouco foi mudado na mixagem de Marcelo Sussekind. A essência do disco idealizada com Chico Neves se manteve integra e inalterada. A Abril aceitou a nova mixagem e o disco foi para as lojas. Adorado por muitos, odiado em menor escala, “Bloco do Eu Sozinho” chegou criando polêmica: não se parece em nada com o que se esperava do Los Hermanos e por isso mesmo gerou tanto problema. Será que é permitido a uma banda o direito de controlar o seu guidon? Será que é possível fazer música sem pensar em cifras? Nós não queremos dominar o mercado, nem o segmento. Nós não fazemos parte desses segmentos. Nós fazemos músicas. Boas, ruins, felizes, tristes, ingênuas, apaixonadas, inocentes, decepcionadas. Não pretendemos abrir mão da nossa liberdade de criar. Estaremos aonde nossa música nos levar, mesmo que não aponte para a direção do sucesso como ele é mais conhecido. O sucesso é conseqüência de estar feliz e esse ainda é o nosso maior objetivo VOLTAR A LISTA DE NOTÍCIASVoltar para o Meadd de loshermanos |