Não leia o postNão, não é psicologia reversa. É só uma taquecardia de palavras sem muito sentido para vocês. Poupem tempo, que eu não ficarei ofendido com a não leitura dessa bobagem. Porque a felicidade me pegou sem um porquê, e eu não podia desperdiçar esse momento raro de embriagada lucidez. Lembro de quando comecei a postar minhas fotografias. Chegava da excursão da 8º série - uma espécie de despedida da fase descomplicada da minha vida - e abri um flog para falar da viagem. Dois dias depois meus pais se separaram e hoje eu entendo o recado que a vida quis me dar com isso. E de lá pra cá minha vida foi feita de pedaços daquela antiga felicidade que tinha. Pedaços esses que tive de mendigar com muito esforço para conseguir, é bom que se diga. Pedaços escondidos na fraternidade dos meus amigos; nas minhas músicas - que nem têm o luxo de serem minhas. Pedaços escondidos naqueles momentos onde me emprestavam uma câmera para eu tirar fotos da vida - a vida como eu a enxergo e que venho periodicamente postar para vocês(ou para mim mesmo.). Pedaços escondidos nos abraços, nas palavras e nas risadas de toda manhã naquele velho colégio. Pedaços encontrados em algumas conversas de internet com estranhos que me conhecem melhor do que eu jamais farei um dia. Eu fui crescendo, amadurecendo e apodrecendo. Acho que o propósito da vida é esse mesmo - comigo foi só um pouco rápido. Hoje tenho 17 anos de idade e 71 de espírito - a matemática sempre brincou comigo, trocas numéricas são comuns. E minha vida é feita das cruzes que tenho de carregar. Carrego a saudade dos bons tempos que passaram, mas, ficaram; dos amigos que seguiram seus caminhos sem mim. Carrego a solidão de uma pessoa realmente amarga, que nunca esteve perto do coração selvagem - e isso é o que mais me doi ter de admitir. Alguns sonhos ainda carrego e transtorno de pânico, também. Se você não se conteve de curisidade e ainda está lendo aqui não quero que sinta algum tipo de pena. Odeio que sintam pena de mim. Eu sou carente de atenção, adimito, mas jamais mendigarei isso também. Quando se mendiga atenção você perde todo o gracejo, e quero continuar com o pouco da classe que os senhores de minha idade têm. Todos os que me conhecem estão para atestar que não foi por não querer. Eu procurei o amor, mas ele não quis ser achado. E meus caros, quando o amor não quer ser achado nada mais pode ser feito senão acatar o seu destino. Mas, verdade é que a minha memória mais persistente foi a de quando o vivi há alguns anos. Foi o momento em que descobri para que nascem os homens; quando eu senti que na vida não era somente o eu, e passei a pluralizar o pronome da primeira pessoa, que agora eram duas. Nós dois e nada mais. Foi quando percebi a belaza que há nos contornos dos objetos, e quando vi que todas as coisas tem seu ângulo de perfeição. Foi quando passei a fotogravar as coisas para eternizar em imagens o amor com todas aquelas cores e formas distintas. Foi quando vi como eram bonitas as flores, e o céu passou a ser a coisa mais democrática que até então conhecia. E vi o espetáculo que é o morrer e o renascer do sol. Foi quando descobri porque costumam dizer que é o coração que guarda as emoções. E se tem uma coisa da qual me queixo é que a mim não foi dado o dom da escrita para por em palavras essas graças que só os engraçados apaixonados sentem. Mas o amor se foi sem antes deixar o silêncio a solidão e a saudade. Fiquei também, com a palavra não dita e a maldita. Mas ainda tenho sonhos, e o maior deles é estar perto do coração selvagem. E se há sonhos, há um pouco do luxo de querer sobre-viver. Viver pesa e existir cansa, por isso estarei a descansar até que, quem sabe, no meu próximo aniversário me acorde com 18 anos. Afinal ninguem sabe o que o Criador nos reserva. ;)
Sobre fechar este espaço ainda não me posicionei, tenho muitos motivos para isso mas alguns poucos me fazem querer continuar. 23/09/2009 ----
Eu escrevi isso há um ano. E para a minha infelicidade nenhuma das palavras aqui pode ser retirada. Permanecem de uma maneira que me assusta. Talvez mereçam só um retoque. Afinal eu já passei dos 71. Nesses dez anos aprendi a traduzir melhor algumas coisas que sinto. Apodreci um pouco mais, e isso não é ruim em certo sentido. Mas eu estou velho. Perigosamente perto de, enfim, descansar. E eu não queria parecer estar sendo dramático agora. Senhores como eu não se dão o luxo de ter ataques histéricos de adolescentes. E você que é meu amigo e possivelmente está lendo isso não construa nenhuma imagem diferente da que você já tem de mim. Eu continuo sendo esse Cléo bobo que se esforça para ser engraçado, ainda que seja patético na maior parte do tempo. Eu disse que não era para ler certo? Pois bem, eu me perdi em meus pensamentos - naturalmente. Temo que isso que escrevo se torne tão hermético que nem eu mesmo penetre. Normalmente eu não me entendo, mas no dia em que eu perder a intimidade com minha confusão interna será o fim(?). Acho que para retomar a linearidade da minha loucura eu deva falar um pouco o que aconteceu comigo nessa década. Eu morri, renasci e morri. Cheguei perto do coração selvagem e ele me mordeu. Ainda dói tanto. Em vingança estranha eu prometi o domesticar. É, acho que foi isso de essencial que aconteceu comigo nesta década. Pronto. Que eu entenda isso até o dia da minha morte, amém.
/coracaodomesticado
  |