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A menina que se apaixonou por uma estrelaQuando criança eu sempre gostei de inventar e escrever histórias. Hoje vou retomar esse passatempo. Vou contar-lhes uma história que, como nos mais tradicionais contos de fadas, fala de amores impossíveis, a diferença é que nessa... não há um “felizes para sempre”.
A menina que se apaixonou por uma estrela
Era uma vez... uma menina, na verdade era quase uma mulher, mas ainda lhes predominavam os traços de menina, às vezes uma certa ingenuidade e um bucado de “mulequice”. Ela vivia no mundo da lua, passava horas e horas olhando pro céu admirando tudo de mais bonito que ali podia existir. Enfrentava o sol, ficar brincando de formar desenhos nas nuvens, achava a chuva incrível e o arco-íris um verdadeiro mistério, podia ficar ali até a noite cair pra então observar a luz da lua e a beleza das estrelas. Certo um dia, entre suas detalhadas observações, ela encontrou uma estrela diferente, não apenas pelas suas 6 pontas que a diferenciava das demais, mas também pelo seu brilho que a fazia destacar-se naquela imensa escuridão. Era uma estrela incrível, os olhos fixados da menina que antes já brilhavam, agora estavam radiantes. Ela levantou-se e, como se a estrela pudesse lhe ouvir disse: - Oi meu nome é Ana! Naquele momento o mundo encantado em que Ana sempre acreditou passou realmente a existir e,inacreditavelmente a estrela lhe respondeu: - Olá Ana! E disse-lhe seu nome... A menina se surpreendeu ao perceber que não se tratava de “uma” estrela quando “este” continuou... -... mas pode me chamar de... “Ben”. Eles então passaram a noite conversando, trocando idéias, compartilhando gostos e experiências. Perceberam que tinham muito em comum, era como se tivessem os mesmos planos, os mesmos sonhos e gostassem das mesmas músicas, dos mesmos passatempos. Como se até mesmo já se conhecessem. É claro que não, se isso tivesse acontecido em outras ocasiões, ela jamais se esqueceria daquela voz, ele jamais se esqueceria daquele rosto. A noite começava a dar lugar ao dia e eles teriam que partir. O tempo pareceu ter voado naquela companhia. Ficaram então de se reencontrar na noite seguinte e assim aconteceu... Eles se encontraram novamente, e novamente, e novamente... Passaram a se ver todas as noites e, estas noites já não faziam mais sentindo sem Ben e Ana. Eles descobriram afinidades profundas, tinham longas conversas sobre os mais variados assuntos, se faziam companhia, tinham uma sintonia perfeita. O tempo foi passando e já fazia parte de suas rotinas os encontros ao cair do sol. Se tornaram melhores amigos. Iam dormir juntos, brincavam entre si, arrancavam gargalhadas, enxugavam lágrimas quando o outro se sentia triste, aconselhavam, trocavam segredos, tocavam um ao outro sem necessariamente tocar. Eles sentiam. Foi quando “a menina e a estrela” perceberam que estavam irrevogavelmente apaixonados! Foi sem querer, sem perceber... Quando caíram em si já era tarde demais. Mas ora, você deve pensar, o que teria demais dois jovens apaixonados? Não teria, se ele não fosse uma estrela, e ela uma menina, apenas uma menina. Se eles não estivessem a anos luz de distância, se eles não vivessem em mundos assim tão diferentes... Era difícil suportar o não poder tocar os lábios, o não sentir o cheiro, apenas imaginar... Era insuportável aceitar o não poder se entregar, o não viver este sentimento, tão bonito, tão verdadeiro. A estrela já não brilhava como antes, suas lágrimas se misturavam às gotas da chuva. Ben queria sua menina ali... com ele, e pensou: Porque não? Propôs a ela que viesse fazer parte do seu mundo, mas apesar de sonhadora, ela era covarde demais para tamanha aventura. Sabia que talvez seria mais feliz, talvez gostasse mais daquele mundo que tanto sonhara fazer parte um dia, mas ainda assim não estava pronta para se desfazer de tudo que a rodeava no momento. Ainda não era hora, ela ainda não era mulher o bastante para ousar tanto assim, jogar tudo pro auto e começar tudo de novo. Era uma mistura de medo, pés no chão, covardia, responsabilidade. Mas ele já não poderia esperar, doía a cada dia esperar por Ana. Sua vida já girava em volta do pensamento de tê-la e, ter “só a sua companhia e amizade” já não era o suficiente, isso o torturava. Até que um dia o céu permaneceu negro e a estrela já não apareceu... Ana o esperou por várias noites, mas sentia que assim seria “para sempre” e que ele já não voltaria. Por mais que doesse ela entendia que se era pra tê-la pela metade, ele preferia não tê-la. Mesmo chorando, estava feliz, pois sabia que ele poderia ser mais feliz sem ela, livre... para encontrar outra estrela que brilhasse tanto quanto ele. Mesmo assim, ela olhava e continua olhando pro céu todas as noites de braços abertos a procura de uma estrela que brilhe mais...
Moral da história: Quem gosta de verdade, prefere ver a pessoa feliz, mesmo longe.
Dedico este texto totalmente (ou parcialmente?) fictício e infantil, a um amigo o qual não preciso nomear, que assim como na história, está longe brilhando sozinho. Ele saberá
Ana Paula D.   | Favoritos - capricho
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